Casa de Passagem na Mídia...

Inauguração de cem vagas de acolhimento

     Um lugar onde há dignidade, respeito e cidadania. O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), abriu, neste sábado (20), duas Casas de Passagem para ofertar novas vagas para o Serviço de Acolhimento Institucional.

      As unidades ficam em Taguatinga e Planaltina. Cada uma terá 50 vagas destinadas à pessoas em situação de vulnerabilidade ou de rua. “É mais uma etapa na ampliação da oferta desse serviço no DF para quem mais precisa, de forma descentralizada e com responsabilidade social”, explica a secretária de Desenvolvimento Social, Mayara Noronha Rocha.

 

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“Na unidade, os acolhidos terão um acompanhamento socioassistencial para que possam superar essa situação de vulnerabilidade, e assim resgatarem sua autonomia”explica a secretária de Desenvolvimento Social, Mayara Noronha Rocha

         A gestão das casas será feita por uma parceria entre a secretaria e o Instituto Tocar. “Atuamos há 20 anos na área social. Recentemente, estávamos com a responsabilidade da execução do serviço de acolhimento no Alojamento Provisório do Autódromo, onde recebemos mais de 1,2 mil cidadãos”, explica a presidente do instituto, Regina Amorim. Nas próximas semanas, juntamente a outras Organizações da Sociedade Civil (OSCs), a Sedes vai ofertar outras 200 vagas em mais Casas de Passagem. A meta é completar as 600 vagas  ainda neste primeiro semestre de 2021. Essas vagas das novas casas de acolhimento serão disponibilizadas como as demais, por uma central da própria Sedes.

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Casa de Passagem resgatando dignidade

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crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

     Marcelo Alves, 27 anos, veio para o Distrito Federal há seis anos. Morador de uma cidade no sul da Bahia, ele acreditava na promessa de que teria emprego e boas condições de trabalho em uma chácara na zona rural de Brasília. O trabalho, entretanto, tinha características análogas à escravidão. De domingo a domingo, ele cuidava da terra e morava em um barraco de madeirite. Era obrigado a ir a uma igreja e ficou preso.

  A Casa de Passagem atua no resgate da dignididade, trazendo acompanhamento multidisciplinar para nossos acolhidos. Resgatando valoes como: Respeito, reinserção no mercado de trabalho, oficinas de capacitação.

     O baiano abandonou a situação e tentou se firmar na cidade. Conseguiu um emprego e começou um relacionamento. Há pouco mais de dois anos, porém, descobriu, repentinamente, a morte do pai. “Eu liguei para dizer que estava bem, vivo, e me disseram que ele tinha morrido havia cinco dias”, conta Marcelo. Desestabilizado, entrou em crise e se envolveu com drogas. Perdeu o relacionamento e ficou sem direção.

     Diante das dificuldades, Marcelo ficou nas ruas. Passou fome, frio e sofreu com o olhar preconceituoso da sociedade. “Fui tratado como marginal. Os olhares eram de desprezo. Foi o que eu senti. As pessoas pensam: ‘Se ele está nessa situação, é porque fez uma coisa errada, está pagando pelos pecados’”.

      Com apoio psicológico, Marcelo trata das feridas que o tempo nas ruas deixou e acredita em um futuro melhor. Planeja conseguir emprego como vigilante, quer se especializar, fazer cursos e ter carteira assinada para garantir os direitos trabalhistas. Está em processo de obter a documentação pessoal que tinha. O sonho maior, no entanto, é voltar a ver a mãe. “Hoje, tenho vergonha de procurá-la. É triste ter de mostrar a ela o filho em um momento de dificuldade. Espero que Deus me dê a oportunidade de trabalhar e encontrá-la”, completa Marcelo.

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    Estamos reestruturando o Serviço de Acolhimento, com as novas Casas de Passagem, as quais também facilitam o acesso à toda política de assistência social, incentivo ao estudo, capacitação, o empreendedorismo ou encaminhamento ao mercado de trabalho, e até mesmo às áreas de saúde, o que antes era algo que estava apenas no papel.
     Sem contar as 2.2 mil pessoas que puderam enfrentar essa pandemia em segurança nos alojamentos provisórios. E desses, 700 acolhidos alcançaram o mercado de trabalho e mais de 100 tiveram a oportunidade de voltar para suas cidades de origem, reencontrando suas famílias, e assim saíram da situação de rua!

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     Marcelo Santos Alves, 27 anos, reencontrou a família após 10 anos de espera e dificuldades. Nesta semana, o acolhido da Casa de Passagem, programa da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes), conseguiu contato com a mãe e as irmãs, que moram em Gangogi, no interior da Bahia.

     Depois de passar anos nas ruas, o baiano foi acolhido em abril na Casa de Passagem de Taguatinga. “A minha ideia é poder visitar a minha família assim que possível”, afirmou.

     Agora, Marcelo está em busca de emprego. “São pessoas muito humildes. a Minha maior vontade, agora, é poder ajudá-las de alguma forma”, contou, emocionado. Marcelo buscava qualquer informação dos familiares no interior baiano, até que chegou à mãe, Cláudia de Jesus.

Procura por alojamentos no DF aumenta

    Desde o início da pandemia no Distrito Federal, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) registrou um expressivo aumento de moradores em situação de rua acolhidos em abrigos temporários. Segundo dados da própria pasta, os atendimentos em 2020 tiveram incremento de 248% em relação a 2019 e, neste ano, o número deve ser ainda maior.

    De acordo com o levantamento, 1.208 pessoas já passaram pelas unidades da Sedes apenas nos primeiros quatro meses de 2021. No ano inteiro de 2020, 2.069 habitantes da capital em situação de rua estiveram nas casas de acolhimento e, em 2019, 593.

  Secretária Mayara Noronha Rocha conhece as instalações da nova Casa de Passagem de Taguatinga. Em parceria com o Instituto Tocar, são oferecidas 50 vagas de acolhimento institucional.
 

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    Na unidade, os acolhidos recebem três refeições, diariamente, além de terem dormitórios, banheiros, lavanderia e a possibilidade de realizar cursos de capacitações profissionais.

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Com as unidades temporárias, a Sedes ampliou o Serviço de Acolhimento Institucional do DF de 1.050 para 1.555 vagas | Foto: Sedes

    “Extraordinário.” Assim a secretária nacional de Assistência Social do Ministério da Cidadania, Mariana Neris, define o trabalho desempenhado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) no acolhimento à população em situação de rua em meio à pandemia de Covid-19. O elogio foi feito durante o ciclo anual de reuniões da Rede Suas, encerrado nesta terça-feira (8), responsável nacionalmente pelas informações do Sistema Único de Assistência Social (Suas).

    “Foi extraordinário o trabalho desempenhado pelo GDF com o objetivo de acolher esse público. Trata-se de uma complexidade que se agrava nesse contexto tão delicado de uma pandemia”, definiu a gestora do governo federal.

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“Agora, começo a traçar e a seguir novos planos na minha vida”, projeta Wellington Lisboa, de 50 anos, ao se despedir dos colegas e da equipe de acolhimento da Casa de Passagem de Planaltina, nesta sexta-feira (30). Após ingressar como motorista na empresa de transporte público do Distrito Federal, o ex-cidadão em situação de rua, alugou a própria casa e segue seu caminho.

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A Casa de Passagem de Planaltina faz parte do serviço de acolhimento da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), em parceria com o Instituto Tocar, uma organização da sociedade civil responsável pela gestão do espaço. O DF conta com unidades como essa em Taguatinga, Gama e Guará, sendo essa última destinada a receber famílias com crianças, onde o objetivo é oferecer um ambiente familiar para os acolhidos.

Abertas a partir do fim de março, as quatro casas de passagem têm cozinheira, orientadores sociais, psicólogos e assistentes sociais. Desde então, somando as quatro unidades, mais de 570 pessoas já se beneficiaram com o serviço. Dessas, ao menos 60 foram reintegradas à família, retornaram para seus estados de origem ou iniciaram em empregos.

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Instalada no conjunto Q da QE 15 desde abril deste ano, a Casa de Passagem do Guará tem capacidade de abrigar até 30 pessoas em situação de vulnerabilidade. A instituição na cidade tem o objetivo de abrigar famílias inteiras, e não indivíduos, para manter o núcleo familiar. Por isso, a maioria dos hóspedes são crianças e mulheres (os homens das famílias representam menos de 20% dos hóspedes). Na entrada da casa é possível ver um estacionamento de carrinho de bebês. Desde a sua inauguração, já passaram por lá 14 bebês e 18 crianças.

Parte dessas famílias já foi reintegradas à sociedade. Quatro delas conseguiram passagens, documentos e condições para voltar ao Estado de origem, próximos às suas famílias.

Instituto Tocar conta com uma rede de apoio na cidade. Na foto o gerente de Cultura da Administração do Guará, Julimar dos Santos, a psicóloga Annalya Garcia, a presidente do Tocar, Regina Almeida e o educador social Everardo de Aguiar

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Regina se refere à necessidade de que a comunidade entenda o papel da Casa de Passagem e porque está em uma área residencial. “Aos poucos, os vizinhos vão entendendo, e até colaborando. Recebemos muito apoio de moradores próximos, que entendem o trabalho de reduzir a dor social dessas pessoas. Abrigamos grávidas e crianças, então é natural que precisemos acionar o Samu eventualmente, o mesmo acontece com a polícia, que tem nos ajudado sempre que precisamos”, completa a psicóloga.

Para a psicóloga e presidente do Instituto Tocar, Regina Almeida, a comunidade vai entender que o Instituto não vai interferir em suas rotinas e acabará por ajudar estas famílias acolhidas. “Entendo a preocupação das pessoas e tive a oportunidade de conversar com algumas delas. Acredito que são pessoas generosas que vão nos apoiar muito. Não recebemos qualquer um que aparece em nossa porta, e nem doamos alimentos ou dinheiro aqui.

Recebemos famílias que passaram por triagem cuidadosa, que foram selecionadas e apenas querem uma nova vida. Integrá-las a uma comunidade é a melhor forma de fazer isso. Conto com a solidariedade de todas as famílias das proximidades para conseguirmos ajudar essas pessoas”.